Tavira
Romana
A ocupação da zona de Tavira na Época
Romana
Geografia histórica do povoamento,
rede viária e sacralização do território
VERSÃO
ACTUALIZADA em 03/2011 aqui: (http://arkeotavira.com/balsa/tavira/tavira-romana-blog.pdf
6 MB)
Luís Fraga da Silva, 2005
Ensaio constituído por um texto e quatro mapas.
A sua realização integra-se no plano de estudo e divulgação do território da cidade romana de Balsa e da história urbana de Tavira.


RESUMO
O lugar de Tavira foi pouco
importante na Época Romana, situado a 6,5 km da cidade de Balsa, que era
então a capital de todo o território entre Moncarapacho e o Guadiana.
A tradição da sua
"ponte romana" não tem fundamento arqueológico. Passava no entanto aí
a principal via romana do Algarve, integrada no Itinerário Antonino XXI na
sua etapa Balsa-Baesuris A travessia do rio
efectuar-se-ia possivelmente ou por passadeiras ou por uma ponte de madeira,
estruturas que não deixaram vestígios.
O sítio notabilizava-se
então pela presença de um grande campo de ruínas tartéssicas
na colina de Santa Maria, abandonadas já há séculos, por uma domus ou villa (que ficou na toponímia
como Villa Frigida,
evoluindo posteriormente para Bela
Fria) e por uma ocupação agrícola no Campo da Atalaia, de que apenas se conhece
a necrópole.
Destacava-se ainda o vau
do rio, sítio de passagem da referida via, onde se pensa ter existido um
santuário fluvial junto da nascente aí existente, dedicado a uma
divindade desconhecida.
Coloca-se a hipótese de o nome do rio Séqua
ser de origem pré-romana e estar associado a essa divindade, que pertenceria
então a uma tradição indo-europeia arcaica.
São aqui numerosos os mananciais
sacralizados no percurso da via romana e nas suas ligações secundárias nos
arredores de Tavira. Associados a funções viárias e com uma origem
ou tradição pré-romana, são, ou certificados pela presença de
"pegadas" gravadas na pedra ou deduzidos pelas características
das dedicações páleo-cristãs, por cultos populares
actuais e lendas tradicionais que indiciam uma continuidade desde a
Antiguidade.
Estes indícios, assim
como a fertilidade estuarina e agrícola das redondezas, são porém contraditórios
com a escassez de lugares de povoamento romano conhecidos. Tal poderá dever-se,
entre outras causas, a uma ocupação rural dispersa por populações turdetanas
autóctones, enquadradas no sistema fundiário e fiscal romano prevalente
no território balsense.
Séculos mais tarde,
provavelmente já durante o domínio visigótico, o sítio do vau terá sido cristianizado
com uma dedicação a São Juliano. O hagiónimo Sancti Iuliani passaria
a designar um pequeno povoado da margem esquerda (hoje a colina de Sant'Ana)
e a parte terminal do rio. No século X o culto de S. Julião permanecia vivo,
como prova a existência de um bispo local chamado Iulianus. No séc. XII o local, já totalmente
islamizado, denominar-se-ia Gilla, nome que
surge nas fontes árabes e que evoluiu para o Gilão actual.
Os
antigos esteiros do Gilão-Séqua e do Almargem
constituíam então um obstáculo ao trânsito terrestre pelo litoral, entre Balsa e Baesuris, no Guadiana. Existiam
já também, provavelmente desde a Pré-História, trilhos de longo curso que uniam
o litoral ao interior da Serra Algarvia e ao Alentejo. O conjunto produziu um
complexo polígono de ligações viárias, mais tarde reutilizadas e desenvolvidas
pelo crescimento de Tavira, a partir do séc. XI.
Texto completo (PDF v.6 486 KB)
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