BALSA,
CIDADE PERDIDA
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Edição digital da 1ª edição impressa, de Maio 2007 Capítulos separados em formato Adobe PDF · Entrada · Aviso ao
leitor · Cronologia de
Balsa · Onde estão os monumentos de Balsa? · A cidade romana ideal ©Luis Fraga da Silva EXPOSIÇÃO DE
PAINÉIS SOBRE BALSA (Materiais do Centro Interpretativo) Posts sobre Balsa no blog do autor
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Prefácio (extracto) Maria Luísa Affonso dos Santos, autora da obra "Arqueologia Romana do Algarve", escrevia em 1971 a respeito de Balsa: ”Desta cidade... já quase nada resta à vista. Quem hoje for à Torre de Ares fi cará decepcionado. Encontrará apenas uma vastidão de terreno a perder de vista, à beira do braço de mar, em parte cultivado, e uma pequena casa de campo que se ergue solitária num ambiente de calma e desolação. Abandonados no terreno jazem alguns fustes, uma ou outra pedra e inúmeros alicerces emergem à superfície. Eis o que perdura in loco da famosa Balsa.” Hoje a situação é bem pior, pois os fustes desapareceram e os “inúmeros alicerces” que emergiam à superfície foram extensa e deliberadamente destruídos. A desolação antiga foi substituída pela desolação moderna dos campos cobertos de plástico, das vedações de propriedade e das grandes moradias. Este livro surge precisamente com o objectivo de revelar o que estava escondido ou já desapareceu da antiga cidade de Balsa, descobrindo um pouco do espesso véu de mistério que a cobre, apesar do muito que ainda permanece desconhecido ou hipotético. Ele ambiciona devolver a memória de Balsa ao leitor, cativando-o com a riqueza inusitada do espólio e história da antiga cidade e com a evocação dos seus habitantes e do seu aspecto antigo. Espera-se que a sua leitura possa contribuir para vencer o arreigado desconhecimento e velhos preconceitos sobre o local. A necessidade de um livro sobre Balsa tornou-se especialmente relevante nos últimos anos, por o tema se ter transformado também numa questão imobiliária. Grande parte da antiga cidade foi já destruída por trabalhos agrícolas e urbanizações. O que resta está em perigo de ter o mesmo destino devido aos apetites que a sua situação privilegiada desperta, embora se encontre em zona arqueológica classificada e no Parque Natural da Ria Formosa. O manancial de informação aqui apresentado poderá assim contrapor-se à ignorância e à cumplicidade dos interesses que prefeririam que Balsa permanecesse perdida e desconhecida. Neste sentido, os traços e achados agora divulgados desmontam lapidarmente as reiteradas tentativas de “desvalorização”, “confusão” e “relativização” do sítio arqueológico de Balsa, tanto mais que, apesar das destruições, permanecem ainda importantes zonas por explorar, virtualmente intactas. Espera-se, sobretudo, que a sua leitura contribua para consolidar o interesse activo sobre Balsa por parte do público cultivado, em que esperançosamente se incluem técnicos do património, decisores político-financeiros, professores e todos quantos podem agir, de algum modo, sobre o futuro do sítio, dos materiais, do estudo e do conhecimento de velha cidade.
Advertência ao leitor (pág. 16) Não se sabe quando haverá outro e muito se aprendeu desde então, pelo que se avalizou e seleccionou uma enorme quantidade de informação, correspondente ao estado actual dos conhecimentos, a conjecturas sobre a cidade e a temas ligados à sua história. O resultado é um livro
denso, rico em texto, ilustrações e mapas geográficos, tendo-se dedicado um
cuidado especial ao seu aspecto visual. É uma obra dedicada ao público culto, requerendo conhecimentos básicos de história e cultura clássica e de geografia regional. Recusa explicações infantis, paternalistas ou enganadoramente simples, procurando em contrapartida evitar maneirismos especializados e conceitos obscuros. Inclui resumos do que se pensa serem as melhores conclusões de diversos estudos sobre Balsa e o seu tempo, de autores consagrados indicados na bibliografia. Apresenta também uma visão inovadora sobre a história territorial e o urbanismo balsenses, com destaque para este último, sintetizando-se um trabalho original do autor sobre a morfologia urbana e o território da cidade. Esse estudo incorpora: uma compilação espacial exaustiva da evidência arqueológica conhecida; uma análise sistemática das marcas topográficas anteriores às grandes destruições; e uma interpretação e reconstituição da forma urbana, baseada na aplicação de modelos técnicos e urbanísticos da época a esse quadro arqueológico e topográfico. A novidade e a riqueza deste material, de interesse também para os estudiosos do urbanismo antigo, justificam a sua inclusão como resumo comentado num apêndice autónomo. (Onde estão os monumentos de Balsa?). O livro fica longe de esgotar o tema de Balsa. Para além dos temas históricos e arqueológicos especializados, que nele não têm lugar, permanece um amplo campo aberto a abordagens alternativas e complementares. O resultado final corresponde a um compromisso, em que importantes achados e temas tiveram de ser sacrificados às necessidades de espaço, sendo impossível explicitar todos os conceitos, tipos de vestígios e factos históricos referidos. Apesar destas limitações, resolveu-se incluir uma síntese explicativa sobre as principais características típicas das cidades romanas. Este segundo apêndice, de leitura independente, (A cidade romana típica), destina-se aos leitores menos familiarizados com o tema e que desejem enquadrar o que é dito sobre Balsa numa moldura geral das cidades romanas do seu tempo. |
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Campo Arqueológico de Tavira, Portugal www.arqueotavira.com |
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