Marim Romano. Um novo resumo
Reconstituição
topográfica e funcional do sítio arqueológico da Quinta de Marim (Olhão, Faro)
e elementos da sua história territorial
Luis Fraga da Silva
Campo Arqueológico de Tavira, Outubro 2009
TEXTO INTEGRAL AQUI: http://www.arkeotavira.com/alg-romano/marim2/pdf/resumo-marim.2.pdf (pdf 312K)
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Principais ilustrações a incluir na 2ª edição |
(extracto do prefácio) O sítio arqueológico de
Marim (Quelfes, Olhão, Faro) é um dos mais importantes do Algarve romano e um
dos mais referenciados na literatura especializada. É referido pela primeira
vez em 1593, por André de Resende, numa notícia relativa a uma inscrição
epigráfica [1]. Em 1607 Fernandes Sarrão descreve o sítio como sendo "de
muitas antigualhas, de muitos mármores, com muitas letras" na sua
História do Reino do Algarve [2]. Salvo estas interpretações
– de âmbito parcial, demasiado sintéticas ou pouco fundamentadas – Marim
nunca foi até agora adequadamente estudado nem objecto de uma restituição
arqueotopográfica que pudesse simultaneamente ilustrar a morfologia antiga do
lugar, expor o seu perfil funcional e a evolução das grandes fases de
ocupação e clarificar a sua posição no quadro territorial do Algarve romano,
nomeadamente da sua relação com Ossonoba.. Nota: As referências bibliográficas seguintes são as do texto integral.
O autor não soube interpretar o desenho de implantação de
Estácio da Veiga, em que a escala das edificações é maior que a do terreno e
em que as orientações são apenas grosseiras. Inventou também uma parte do
desenho da necrópole. Independentemente das razões destes erros, a sua
consequência é ajustar à força a topografia de Marim a um modelo
pré-concebido de villa romana típica.
Marim Romano. Uma nova
síntese Corresponde a um povoamento secundário polinuclear, com três centros dispostos ao longo da margem da pequena baía estuarina então existente em frente da barra marítima oriental da laguna de Ossonoba. Os três centros (porto marítimo, villa e fábrica de salgas) individualizam-se dos pontos de vista topográfico, funcional e cronológico: 1. Porto marítimo. É o núcleo mais importante, com uma cronologia estabelecida entre finais do séc. II e o séc. VI. Ocupava uma situação portuária estratégica no acesso marítimo oriental à laguna e à cidade de Ossonoba. A sua localização numa baía protegida sobre a barra tornava-o: um porto de escala técnica da navegação de longo curso; um porto de espera de marés da navegação lagunar; e o porto local de acesso mais directo ao santuário do Monte Figo. A combinação destas funções terá estado na origem da construção de amenidades para os viajantes e, muito provavelmente, da criação de um posto de alfândega fiscal e de controlo policial e sanitário. Os seus elementos arqueológicos mais importantes são: - Duas fontes-cisternas, talvez sacralizadas, na vizinhança do cais. - Um pequeno balneário junto de uma edificação importante que poderá ter sido uma estalagem/hospedaria. - Uma necrópole sob a forma de recinto murado com pátio funerário e dois jazigos-casa, de onde provirá a grande maioria das lápides funerárias romanas associadas a Marim, datáveis aproximadamente entre 180 e meados do séc. III. A invulgar concentração de lápides funerárias requintadamente esculpidas num recinto funerário cuidado e selectivo – mas com inscrições frustes e associadas a escravos com nomes pretensiosos e a uma elevadíssima taxa de mortalidade precoce das jovens em idade fértil – interpreta-se pela existência de um prostíbulo portuário articulado com um collegium funerário. O prostíbulo e os seus trabalhadores estariam integrados nas actividades de estalajadaria e banhos, serviços essenciais de recreação e lazer prestados às tripulações e utentes do porto. A necrópole do porto foi usada como cemitério e talvez como igreja paleocristã, sobretudo na 2ª metade do séc. V, sendo desta época as lápides paleocristãs aí encontradas. 2. Villa agro-marítima. A sua cronologia estabelece-se entre o séc. I e inícios do V. As partes urbana e fructuaria são mal conhecidas, subsistindo uma planta muito parcial da primeira, que sugere um modelo arquitectónico de villa de peristilo. A villa corresponde a um fundus que conjecturalmente teria pelo menos 800 hectares e uma frente ribeirinha de cerca de 5 km. Cerca de 90 % das terras teriam uma ocupação equitativa de pinhal e culturas de sequeiro. Da pars sacra conhece-se um mausoléu senhorial dos sécs. II e III e uma modesta necrópole mais tardia. Em meados do séc. IV teve um importante processo de reconstrução ou ampliação monumental, em que se destaca um templo-de-galeria semelhante aos de Milreu e S. Cucufate, num estilo arquitectónico designado por romano-céltico, oriundo da Gallia e Britannia. Esta fase de apogeu confirma-se pela frequência máxima da circulação monetária local durante a 2ª metade do séc. IV. A simplificação arquitectónica e decorativa do templo de Marim relativamente ao de Milreu sugere que se trata de uma cópia posterior e mais modesta deste. A monumentalização tardia e o achamento de um tesouro de cem solidi não circulados (Honório I, cunhados entre 395 e 402), interpretado como parte de um estipêndio imperial, sugerem que a villa se tornou a residência de um dignitário administrativo e fiscal do porto. 3. Fábrica de salgas (preparados piscícolas e corante de púrpura). Com instalações industriais, residenciais e um armazém de importação-exportação, pertencia à firma dos Iunii (marca Ivniorum). Configura-se como um pequeno "arraial" num acesso privilegiado aos "pesqueiros de Olhão", com uma cronologia entre finais do séc. II e o terceiro quartel do séc. III. Os Iunni dispunham de diversos estabelecimentos na costa algarvia, de produção de salgas, contentores cerâmicos e materiais de construção. Possuíam muito provavelmente uma frota pesqueira e de navegação comercial entre o Algarve e o Estreito. Importavam cerâmicas africanas e as suas conservas surgem no Algarve e em lotes exportados para portos do Mediterrâneo Ocidental. Na vizinhança da fábrica existiam pelo menos dois tanques de salgas isolados, em que pelo menos um deles correspondia a uma exploração autónoma. A identificação de Marim com a Stacio Sacra – povoação situada entre Ossonoba e Balsa de acordo com a Cosmografia do Anónimo de Ravena – é possível mas pouco provável. Moncarapacho cumpre melhor o perfil adequado e, além disso, o topónimo [*villa] Marini já existiria na época. A primeira edição do estudo, de 2007, pode ser lida aqui
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Fig.1 Ocupação romana entre as cidades de Ossonoba e Balsa |
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Fig.2 Ocupação romana entre Marim e Moncarapacho
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Fig.3 Marim: Correcção topográfica dos sítios arqueológicos explorados por Estácio da Veiga em 1877
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Fig.4 Ocupação romana da páleo-baía de Marim. Os três núcleos de povoamento: a villa, o porto e a fábrica de salgas |
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Fig.5 Marim: A villa e o porto |
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Fig.6 Reconstituição da linha de costa de Olhão na época romana |
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Fig.7 Comparação das áreas estimadas de Marim, Milreu, Cerro da Vila e S. Cucufate |
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Fig.8 Marim: Reconstituição da paisagem agronómica na época romana. Condicionantes geográficos do uso do solo e dos limites de propriedade |
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Fig.9 Marim: Parte urbana da villa (1 de 3). Comparação planimétrica do sector conhecido da villa de Marim com sectores de outras villae |
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Fig.10 Marim: Parte urbana da villa (2 de 3). Reconstituição da implantação e da organização funcional do espaço |
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Fig.11 Marim: Parte urbana da villa (3 de 3). Templos de tipo "romano-céltico" com abside. Comparação e conjectura de evolução arquitectónica
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Fig.12 Marim: Fábrica de salgas. Localização arqueológica e proposta de reconstituição topográfica |
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Fig.13 Áreas de produção e circuitos de distribuição de mercadorias transaccionadas pelos Iunii |
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Fig.14 Marim: Paralelismos planimétricos da pequena sala absidada do balneum |
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Fig.15 Marim: Reconstituição conjectural da topografia funcional da zona do balneum |
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Fig.16 Necrópole do porto de Marim (1 de 2). Paralelismos planimétricos com "jazigos-casa" da 1ª metade do séc. III |
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Fig.17 Necrópole do porto de Marim (2 de 2). Análise interpretativa e reconstituição planimétrica |
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Fig.18 Ocupação romana da zona de Moncarapacho |
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Fig.19 Implantação da zona arqueológica estimada de Marim (1 de 2). Na carta militar de Portugal |
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Fig.20 Implantação da zona arqueológica estimada de Marim (2 de 2) Sobre a "Urbanização dos Pinheiros de Marim" |
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