Carta Corográfica de Portugal na escala 1:100,000

1857-1892

Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos do Reino.

Direcção de Filipe Folque

 

 

Edição digital de Luís Fraga da Silva

Associação Campo Arqueológico de Tavira

2004

 

Especificações da Carta

 

 

Espaço abrangido

Portugal Continental

Nº de folhas da série

37

Escala

1:100,000

Elipsóide

Puissant

Projecção

Cónica equivalente de Bonne

Origem

Lisboa (Castelo de São Jorge)

Meridiano médio

9° 07' 54,8" 0, de Greenwich

Paralelo tangente

39° 40' N

Equidistância altimétrica

25 m

50 m nas zonas acidentadas

Zero altimétrico da carta

2.84 m acima do zero hidrográfico, dado pelo marégrafo de Cascais

Comprimento das folhas

80 cm

Altura das folhas

50 cm

Impressão

Litografia, a preto

Época de levantamento

1857 a 1892

Época de publicação

1862 e 1904

Folhas incluídas (Algarve e Baixo Alentejo)

Data de publicação

Autores

34

1882

Carvalho, Mesquita, Rebello Jor. e Samora, gr.

35

1898

Martins, gr.

36

1884

Mesquita, Carvalho e Samora, gr.

37

1893

Carvalho Jor., Martins, Mesquita e Samora, gr.

Especificações digitais

Atributo

Valor

Formato

TIFF

Compressão

Lempel-Ziv

Largura

23,652 pixels

Altura

15,042 pixels

Resolução horizontal

400 pixels por polegada

Resolução vertical

400 pixels por polegada

Profundidade de bits

8 (256 valores)

Representação de cores

Escala de cinzentos

 

Apresentação

A Carta Corográfica de Portugal na escala 1:100000, que teve como mentor Filipe Folque, constitui um marco na história da cartografia portuguesa

Os trabalhos para o levantamento tiveram início após a publicação de uma portaria de Fontes Pereira de Melo, em 27 de Outubro de 1852.

O levantamento durou de 1857 a 1892. As 37 folhas que a compõem foram publicadas pela Direcção dos Trabalhos Geodésicos entre 1862 e 1904, depois de anteriormente terem aparecido as folhas 19, 23 e 24, numa edição em hachures, mais tarde recolhida. A impressão destas primeiras folhas foi realizada por processos litográficos, conduzidos por João Lewicki, um artista polaco contratado para este efeito por Filipe Folque. A representação do relevo através das normais ("hachures") produzia folhas com grande valor estético mas não continha o rigor necessário a uma carta desta natureza. Por essa e outras razões, a partir de 1861 foi utilizado o sistema de representação de curvas de nível.

A projecção utilizada adapta-se perfeitamente a um país alongado na direcção norte-sul, como a Portugal.

As folhas têm os bordos orientados segundo o meridiano médio. Deste modo, na faixa oriental do país, a mais afastada dele, a esquadria das folhas já faz um ângulo perceptível com a rede cartográfica.

A representação do terreno progrediu consideravelmente das primeiras para as últimas folhas aparecidas. Todavia, algumas formas, como as glaciárias da Serra da Estrela e muitos terraços fluviais, são irreconhecíveis. 0 povoamento está mais esquematizado do que a escala obriga, No restante, as possibilidades desta são totalmente aproveitadas. Apesar de o relevo nem sempre ter uma representação perfeita e de as linhas de caminho de ferro estarem marcadas, por vezes, de maneira pouco rigorosa, onde hoje o mapa falha é, geralmente, por estar antiquado, Em conjunto trata-se de um excelente mapa em grande escala feito com unidade, comparável ao que de melhor se fez ao tempo e como ainda não existia em 1948 para toda a Península.

Este carta foi vencedora dos maiores louvores a nível nacional e internacional, tendo-lhe sido atribuída uma "Carta de distinção", a título excepcional, pelo Congresso Internacional de Ciências Geográficas da Sociedade de Paris, em 1875.

 

Bibliografia

1948    Lautensach, Hermann e Feio, Mariano       Bibliografia geográfica de Portugal, C.E.G., Lisboa; pp. 26-7

2000    Instituto Geográfico Português (IGP),       http://www.igeo.pt/IGEO/portugues/o_instituto/100k_folque.html

Notas sobre a versão digital

A qualidade dos originais digitalizados não é muito boa, tratando-se de exemplares na posse de privados há muitas gerações. A informação impressa é de difícil leitura junto de algumas dobras a que foram submetidas as folhas. Todas as folhas estavam também consideravelmente distorcidas, devido ao tempo e ao uso.

Com base nestas limitações, tentou-se recuperar a informação possível e corrigir digitalmente as distorções mecânicas, de modo as folhas se puderem justapor com um mínimo de erros. Infelizmente isso nem sempre foi possível com a qualidade desejada, sobretudo porque os elementos de desenho das folhas originais não coincidem totalmente entre folhas limítrofes. Em todas as junções se notam casos de inconsistências nas junções de caminhos, linhas de água e, sobretudo, das curvas de nível.

Felizmente, estas imprecisões não diminuem em nada o extraordinário valor desta Carta para os estudos de povoamento, toponímia e sobretudo, da rede viária.

A Carta Corográfica e a Arqueologia

A principal valia arqueológica da Carta Corográfica relaciona-se com os estudos de reconstituição das redes viárias anteriores à época da sua publicação.

No caso do Algarve e do Baixo Alentejo ela representa as alterações originadas pelo Liberalismo, até 1892. A parte mais importante destas alterações está identificada na própria carta, através do tipo de representação das estradas reais, então traçadas de novo ou profundamente remodeladas. Estes troços podem ser comparados com os das folhas antigas da Carta Militar, de modo a pesquisar trajectos fósseis na sua vizinhança, muitas vezes representados nesta última Carta por caminhos vicinais, limites e de propriedades e outros alinhamentos.

A comparação entre ambas as cartas permite também identificar todos os troços construídos no período entre ambas as cartas (sensivelmente, no caso do Sul, entre 1890 e 1950), tornando possível a reconstituição dos traçados anteriores.

No caso do Algarve propriamente dito, a Carta Corográfica já representa numerosas novas estradas secundárias abertas ao longo da segunda metade do séc. XIX. Uma parte delas, na área de Faro e não só, pode ser despistada a partir da sua identificação no estudo de Luís Rosa Santos.

As restantes estradas, mais antigas e mais numerosas podem, uma vez mais, ser implantadas rigorosamente através das folhas antigas das Cartas Militares. Muitas só se podem reconstituir por essa comparação sistemática, pois já se encontram em decomposição na década de 50 do século XX. A sobreposição georreferenciada da directriz do eixo da Carta Corográfica sobre a Carta Militar Antiga, auxilia grandemente esse processo de reconstituição. Neste grupo destacam-se todas as estradas e caminhos não modernizados da Serra Algarvia e Alentejana.

A Carta Corográfica constitui também um termo de comparação, relativamente ao Roteiro de Silva Lopes. Serve como directriz da implantação de numerosos itinerários deste, mas destaca também os que nos finais do séc. XIX já tinham desaparecido, relativamente a finais do XVIII. Podem-se assim estabelecer as alterações viárias principais produzidas pelo Liberalismo, relativamente aos finais do Antigo Regime.

Estas alterações são substanciais em alguns trajectos principais, sobretudo se registarmos as mudanças viárias provocadas pela obra de D. Francisco Gomes do Avelar (bispo do Algarve na transição dos sécs. XVIII e XIX) , já assinaladas na obra de Silva Lopes. De novo com o auxílio da Carta Militar Antiga é possível reconstituir a quase totalidade quer dos percursos do Roteiro de Silva Lopes quer dos trajectos anteriores e posteriores à obra do Bispo construtor.

Com a carta topográfica de Cacela (José de Sande Vasconcelos, 1755) é também possível reconstituir as importantes alterações viárias provocadas pela criação de Vila Real de Santo António.

A Carta Corográfica serve ainda para implantar os trajectos definidos esquematicamente nas cartas de Carel Allard (1660) e de Oliveira Pereira (1775), produzindo, no conjunto, um mapa muito completo da rede viária por alturas da Restauração. Nesta rede estão todos os elementos da rede medieval posterior à Conquista Portuguesa. Inclui a nova trama originada ou recuperada  pelo povoamento português dos  sécs. XIV a XVI e constitui o ponto de partida para o estudo sério das redes viárias islâmica e romana.

 

Bibliografia

1660    Allard, Carolus                                            Regnorum Portugalliae et Algarbiae, Amsterdão.             

1775    Pereira, Oliveira (ver mapa interactivo)     "Reino do Algarve” na colecção de mapas das provincias incluida na Descrição corográfica de Portugal, Lisboa.

1775    Vasconcelos, José Sande de                        Carta topográfica dos baldios e terras incultas do termo da vila de Cacela, Tavira (?)

1841    Lopes, João Baptista da Silva                     Corografia ou memória económica, estatística e topográfica do reino do Algarve, Academia de Ciências de Lisboa, Lisboa; pp. 474-512.

1935-1955   Instituto Geográfico do Exército         Carta militar de Portugal na escala 1:25,000, Série M888, Lisboa

1995    Santos, Luís F. Rosa                                   Os acessos a Faro e aos concelhos limítrofes na segunda metade do séc. XIX, C.M.F., Faro

 

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